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Apoiadora de povo indígena Truká Tupan sofre atentado em Paulo Afonso (BA)

Alzeni Tomáz, da Sociedade Brasileira de Ecologia Humana (SABEH), saía da Terra Indígena Truká-Tupan quando foi perseguida por 9 km


Matéria por Renato Santana, publicada originalmente no Jornal GGN

Indígena Truká-Tupan às margens do rio São Francisco, em Paulo Afonso (BA). Foto: Renato Santana/Cimi
Indígena Truká-Tupan às margens do rio São Francisco, em Paulo Afonso (BA). Foto: Renato Santana/Cimi

Alzeni Tomáz, da Sociedade Brasileira de Ecologia Humana (SABEH), saía da Terra Indígena Truká-Tupan, em Paulo Afonso (BA), na última terça-feira (15), após atividades com o povo, quando seu veículo passou a ser seguido por um outro, que de forma ofensiva incidiu sobre o guiado por Alzeni.


Nos 9 km seguintes, a pesquisadora dirigiu com o veículo desconhecido em seu encalço. Com faróis altos, incluindo os de milha, o que parecia ser uma caminhonete, em direção perigosa, perseguiu Alzeni, que guiou até o bairro Clériston Andrade, onde fica o Posto de Controle de Trânsito da Polícia Militar.


Quando os condutores do veículo perseguidor perceberam a intenção de Alzeni, mudaram de direção abandonando o terror que vinham impondo sobre a pesquisadora. Para ela, o motivo da emboscada está relacionado ao seu apoio aos Truká-Tupan, que mantém uma área retomada na cidade.


“A gente vem há alguns anos acompanhando o povo Truká-Tupan. O povo faz a luta pela terra e vem sofrendo muitos atentados e ameaças nesse tempo”, disse. Neste ano, as agressões contra o povo se desdobraram. Alzeni acredita que a perseguição compõe parte da estratégia adotada contra os indígenas.


Violência sem interrupção

Em janeiro deste ano, a cacica Erineide Truká-Tupan sofreu um ataque a tiros e quase diariamente motoqueiros passam pela frente da aldeia e atiram a esmo, mas na direção das casas. “Pelo menos duas ou três vezes no mês fazemos boletins de ocorrência na Polícia Civil relativos a essas violências”, diz Alzeni.


Em dezembro de 2022, os Truká-Tupan sofreram dois atentados. Em padrão parecido, os atentados envolvem ameaças de morte e promoção de tiroteios na entrada e ao redor da aldeia, que fica às margens dos cânions do rio São Francisco, e à vista do Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso.


O Ministério Público Federal (MPF) instaurou, em outubro de 2017, procedimento para apurar denúncia de que a comunidade indígena teria sido invadida por desconhecidos, com disparos de tiros e outra face da violência: pedras atiradas para quebrar telhados e destruição das roças.


“Hoje aqueles que não concordam com a demarcação costumam soltar animais na Terra Indígena, que comem ou destroem tudo o que os Truká-Tupan plantam para comer e, assim, ter uma vida mais autônoma”, explica Ângelo Bueno, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).


Programa de Proteção


Por outro lado, os animais do povo indígena são mortos a facadas: cachorros, bodes, ovelhas, galinhas. Não são roubados, mas mortos e deixados para que os Truká-Tupan vejam. “É uma violência crua. A gente sempre teme porque uma hora podemos receber uma notícia de algum indígena morto”, diz Bueno.


Os fatos levaram o povo como um todo e lideranças específicas, como a cacica Erineide, terem entrado no Programa Estadual de Proteção aos Defensores e Defensoras de Direitos Humanos (PEPDDH), da Bahia. Uma das medidas são as rondas diárias da Polícia Militar.

“Nada disso parece estar adiantando. Nem com todas as articulações e incidências, com várias entidades parceiras, até mesmo na Polícia Federal, a gente conseguiu inibir as investidas contra o povo. Se tornou corriqueiro e agora na terça teve mais esse episódio”, lamenta Alzeni.

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