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Caso Gamboa: PM envolvido já havia torturado um dos jovens antes

Familiares apontam que um ano antes das três mortes, Cleverson Guimarães, de 22 anos, tinha sido ameaçado e torturado, dentro de casa, por um policial militar envolvido na chacina


Via: Alma Preta

Texto: Dindara Paz I Edição: Juca Guimarães I Imagem: Marcos Musse/Redes


A chacina promovida por agentes da Polícia Militar que tirou a vida de três jovens negro na comunidade da Gamboa, em Salvador, completa um mês sesta sexta-feira (1). A violência policial resultou na morte de Patrick Souza Sapucaia, de 16 anos, Alexandre dos Santos, 20 anos, e Cleverson Guimarães Cruz, 22 anos.

Segundo os familiares, um dos policiais militares envolvidos na chacina teria ameaçado e torturado Cleverson Guimarães, uma das vítimas, um ano antes, em março de 2021.


O nome do policial não foi divulgado porque o caso ainda está em investigação. Na noite em questão, em março do ano passado, o jovem Cleverson estava em casa quando os policiais entraram e o torturaram por quase três horas e uma tentativa de extorsão. O rapaz ficou em poder dos policiais até às 19h do dia seguinte e só foi apresentado em uma central de flagrantes, longe da casa dele. Após um dia preso, Cleverson foi solto.


Uma coletiva de imprensa organizada, nesta sexta-feira, pela ONG IDEAS (Assessoria Popular e Rede Justiça Criminal) trouxe um balanço das investigações do caso e as lacunas que existem nas versões divergentes apresentadas pela polícia até o momento.


“O primeiro discurso oficial da polícia dizia que foi feita uma ligação informando uma situação de cárcere privado, mas nem a ligação e nem esse suposto de caso de cárcere, foram comprovados. Por sua vez, os policiais envolvidos na chacina disseram que houve uma denúncia de homens armados na avenida do Contorno”, disse Wagner Moura, da IDEAS.


Com participação de organizações, familiares e representantes da Defensoria Pública do Estado da Bahia, o encontro apontou as fragilidades do controle da atividade policial na Bahia e as narrativas utilizadas durante as operações policiais.


“Essas três mortes abalaram muito o cotidiano da comunidade da Gamboa. A nossa cabeça e o nosso coração ainda estão muito doloridos porque não vemos nenhuma perspectiva de solução ou punição”, disse Ana Caminha, presidente da Associação de Mulheres da Gamboa.


Medo


As rodadas de depoimentos para o inquérito da Polícia Militar foram finalizadas no dia 16 de março. Ao todo, cinco testemunhas prestaram depoimentos, entre familiares das vítimas e testemunhas oculares da ação policial. No entanto, três pessoas deixaram de prestar depoimentos por medo de represálias.


A mãe de um dos jovens que foram assassinados durante a operação policial fez uma declaração.


“Uns bichos desses têm que perder a farda, eles não podem ficar na sociedade. Eles não foram lá para prender, foram lá para matar”, disse Ana Sueli Conceição, mãe de Patrick Sapucaia.


Os familiares ressaltaram que querem uma investigação completa do caso e a responsabilização dos assassinos dos jovens, que foram mortos com tiros nas costas.

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