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Chacina da Gamboa: Policiais militares acusados por triplo homicídio vão a júri popular

  • Foto do escritor: IDEAS AP
    IDEAS AP
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Após quatro anos e sob forte mobilização dos movimentos sociais, os PMs acusados aguardam a data do júri em liberdade

"Não estamos buscando vingança, mas justiça com coerência." A forte afirmação de Ana Sueli, mãe de Patrick Souza Sapucaia, um dos jovens vítimas da Chacina da Gamboa — ocorrida em março de 2022, em Salvador — resume a expectativa dos familiares, que há quatro anos aguardam respostas.

Protesto por justiça pela morte dos três jovens na comunidade Gamboa de Baixo, realizado na Avenida Contorno em 7 de março de 2022. Foto: Marcos Musse Os cabos da Polícia Militar da Bahia (PMBA) envolvidos no crime, Tárcio Oliveira Nascimento, Thiago Leon Pereira Santos e Lucas dos Anjos Bacelar Dias, respondem pelo crime de homicídio qualificado cometido por motivo torpe, e, após denúncia do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), em atuação conjunta com o Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (GEOSP) e a 2ª Promotoria de Justiça do Júri da Capital, vão a júri popular. Sete juradas e jurados, representantes da sociedade civil, decidirão se os acusados são culpados ou inocentes pelos homicídios dos jovens negros Alexandre Santos dos Reis, de 20 anos, Cléverson Guimarães Cruz, de 22, e Patrick Souza Sapucaia, de 16, durante uma ação da PMBA na região da Gamboa de Baixo, Centro Histórico da capital baiana. A data do julgamento ainda não foi divulgada.


Na época, os PMs afirmaram que houve troca de tiros. No entanto, após análises periciais e de depoimentos de testemunhas, o MP-BA constatou que os três jovens estavam desarmados e foram mortos após serem abordados quando participavam de uma festa na comunidade. O caso ganhou forte repercussão após mobilização de moradores, movimentos sociais e organizações que atuam na defesa dos direitos humanos. "Queremos conscientizar a população de que ninguém merece esse tipo de tratamento. Está na hora de parar com essa violência truculenta. Hoje, quando as pessoas veem uma viatura, sentem medo da polícia", enfatiza Ana Sueli, que luta por justiça pelo filho e denuncia o modus operandi de como as operações policiais têm sido conduzidas em comunidades periféricas.


O IDEAS Assessoria Popular acompanha o caso desde o início, prestando apoio jurídico e social às mães. Wagner Moreira, coordenador-geral da entidade, aponta que esse tipo de operação reforça o enraizamento do racismo: “Ao presumir que todas as vítimas seriam criminosas apenas por serem da Gamboa, fica evidente a criminalização do território e o racismo, diante do desvalor atribuído às suas vidas". Wagner ainda destaca que "o corpo negro é visto como de hierarquia inferior e com menor resguardo jurídico e institucional", ao pontuar que os três jovens eram negros e que a maioria das mortes por intervenção policial na Bahia são de pessoas negras. Segundo o Atlas da Violência 2026, em 2025 foram 1570 óbitos decorrentes de ações policiais na Bahia, sendo que 93,9% das vítimas eram pessoas negras, de 18 a 29 anos. 


Em 2023, os policiais foram afastados das ruas por 180 dias. Eles também foram proibidos de irem até a Gamboa e de manter contato com testemunhas e familiares da vítima enquanto durar o processo. Os PMs vão continuar respondendo ao processo em liberdade enquanto aguardam a data da sessão do Tribunal do Júri.


 
 
 

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